quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Beata Alexandrina Maria da Costa (Parte II)


“Uma ocasião, estando eu, minha irmã e uma pequena mais velha do que nós, a trabalhar na costura, avistámos três homens: o que tinha sido meu patrão, outro casado e um terceiro solteiro. Minha irmã, percebendo alguma coisa e vendo-os seguir o nosso caminho, mandou-me fechar a porta da sala. Instantes depois, sentimos que eles subiam as escadas que davam para a sala e bateram à porta. Falou-lhes minha irmã. O que tinha sido meu patrão mandou abrir a porta mas, como não tivessem lá obra, não lhe abrimos a porta. O meu antigo patrão conhecia bem a casa, e subiu por umas escadas pelo interior da habitação e os outros ficaram à porta onde tinham batido. Ele, não podendo entrar pelo interior por um alçapão que estava fechado e resguardado por uma máquina de costura, pegou num maço e deu fortes pancadas nas tábuas até rebentar o alçapão, tentando passar por aí. Minha irmã, ao ver isto, abriu a porta da sala para fugir, e conseguiu escapar-se, apesar de a prenderem pela roupa. A outra pequena foi a segunda a fugir, mas essa ficou presa e eu, ao ver tudo isto, saltei pela janela que estava aberta e que deitava para o quintal. Sofri um grande abalo, porque a janela distava do chão quatro metros: quis levantar-me logo, mas não podia, com uma forte dor na barriga. Com o salto caiu-me um anel, que usava, sem dar por conta. Cheia de coragem, peguei num pau e entrei pela porta do quintal para o eirado onde estava a minha irmã a discutir com os dois casados. A outra pequena estava na sala com o solteiro. Eu aproximei-me deles e chamei-lhes 'cães', e disse que ou deixavam vir a pequena, ou então gritava contra eles. Aceitaram a proposta e deixaram-na sair.

Foi nesta altura que dei falta do anel e disse-lhes de novo:
'Seus cães, por vossa causa perdi o meu anel!'
Um deles, que trazia os dedos cheios de anéis, disse-me:
'Escolhe daqui um'.
Mas eu, toda zangada, respondi:
'Não quero!'
Não lhes demos mais confiança; eles retiraram-se e nós continuamos a trabalhar. De tudo isto não contamos a ninguém, mas a minha mãe veio a saber tudo. Pouco depois, comecei a sofrer mais e toda a gente dizia que foi do salto que dei. Os médicos também afirmavam que muito concorreria para a minha doença”.
Por volta dos catorze anos, Alexandrina começa um período de sofrimentos no corpo e também no espírito, devido a falsos julgamentos.Desde o seu acamamento, passou a ser assistida pela sua irmã. Com o tempo, foi aceitando a sua condição de doente, tomando uma rotina quotidiana de oração e oferecendo-se como vítima:
“Sem saber como, ofereci-me a Nosso Senhor como vítima e, vinha, desde há muito tempo, a pedir o amor ao sofrimento. Nosso Senhor concedeu-me tanto, tanto esta graça, que hoje não trocaria a dor por tudo quanto há no mundo. Com este amor à dor, toda me consolava em oferecer a Jesus todos os meus sofrimentos. A consolação de Jesus e a salvação das almas era o que mais me preocupava.
Com a perda das forças físicas, fui deixando todas as distrações do mundo e, com o amor que tinha à oração — porque só a orar me sentia bem — habituei-me a viver em união íntima com Nosso Senhor. Quando recebia visitas que me distraíam um pouco, ficava toda desgostosa e triste por não me ter lembrado de Jesus durante esse tempo”.
Alexandrina encontra a sua vocação de vítima pelos pecadores e para reparação divina, por amor. Dedicava grande parte da sua oração a Jesus Eucaristia, o seu grande e eterno amor.
“Ó meu querido Jesus, eu me uno em espírito, neste momento e desde este momento para sempre, a todas as Santas Hóstias da Terra, em cada lugar onde habitais sacramentado. (…)”.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Deixe seu comentário...